Morte da menina Isabella Oliveira Nardoni No final da noite de 29 de março, a menina Isabella Oliveira Nardoni, 5, foi encontrada caída no jardim do prédio em que o pai mora, na zona norte de São Paulo. Ela estava em parada cardiorrespiratória. O Corpo de Bombeiros foi acionado e tentou reanimar a menina por 34 minutos, sem sucesso. O pai de Isabella, Alexandre Nardoni, 29, e a madrasta, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, foram levados ao 9º DP (Carandiru) para prestar depoimento, logo após a constatação da morte da garota. Isabella vivia com a mãe, porém visitava o pai a cada 15 dias. Em depoimento, o pai afirmou que, naquela noite, chegou ao edifício de carro, com a mulher e os três filhos dormindo. Ele disse que levou Isabella para o apartamento, colocou a menina na cama e a deixou dormindo, com o abajur ligado, para voltar à garagem e ajudar a mulher a subir com os dois filhos do casal. Conforme a versão de Nardoni, quando ele voltou ao apartamento, percebeu que a luz do quarto ao lado do de Isabella, onde dormiam os irmãos dela, estava acesa; que a grade de proteção da janela tinha um buraco; e que a menina havia desaparecido. Em seguida, ele disse ter percebido que o corpo da menina estava no jardim. Naquela ocasião, Nardoni disse suspeitar que a filha tivesse sido atirada do sexto andar do prédio por algum desafeto seu. Um pedreiro, com quem o pai de Isabella havia discutido cerca de um mês antes sobre a instalação de uma antena de TV, chegou a ser ouvido, mas o envolvimento dele no caso foi descartado. Peritos do IML (Instituto Médico Legal), ao analisarem o corpo da menina, acharam lesões incompatíveis com a queda. Surgiram, então, suspeitas de que Isabella tivesse sido agredida antes de cair da janela ou mesmo que ela não tivesse caído, mas sido deixada no jardim, depois de espancada. Nenhuma das duas hipóteses será confirmada enquanto o laudo conclusivo da necropsia não for divulgado. Prisão O delegado Calixto Calil Filho, do 9º DP, responsável pela investigação, ouviu mais de dez pessoas antes de pedir que a mãe de Isabella, Ana Carolina Cunha de Oliveira, 23, prestasse depoimento. Oliveira chegou ao 9º DP por volta das 10h30 do dia 2 de abril, e saiu por volta das 14h30. Poucas horas depois, o pedido de prisão temporária contra o pai e a madrasta da menina foi protocolado na Justiça de São Paulo. O juiz Maurício Fossen, da 2ª Vara do Júri do Fórum de Santana, decretou a prisão dos dois, por 30 dias. Decretou também sigilo sobre as investigações. Os motivos da prisão, portanto, não puderam ser divulgados. RECONSTITUIÇÃO
Um mês da morte de Isabella! Com a igreja fechada para a entrada da imprensa, a família Oliveira lembrou a morte da menina Isabella Nardoni na Paróquia São Francisco Xavier, na Praça Tóquio, no Jardim Japão, Zona Norte de São Paulo. A missa começou por volta das 19h30 desta terça-feira (29). Amigos e parentes chegaram ao local por volta das 19h. Os fiéis da comunidade tiveram acesso ao local, mas, depois do início da celebração, a grade na entrada do templo foi fechada. A missa, que teve a igreja com cerca de 400 lugares ocupados, terminou por volta das 21h. Participaram da celebração os avôs, a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, e dois tios da menina. A saída da igreja, a família evitou comentar qualquer assunto relacionado à investigação ou falar sobre os primeiros 30 dias após a perda de Isabella. O único a falar rapidamente com a imprensa foi João Arcanjo de Oliveira, o pai de Ana Carolina Oliveira. "É muito difícil, depois a minha filha vai falar com vocês", disse, emocionado.
Quote: Tens of thousands of people are killed each year in Brazil, but the murder of a five-year-old girl has transfixed the nation and the media in a way comparable to the Madeleine McCann case in Britain.
Journalists and experts say the death of Isabella Nardoni, who was strangled then thrown from her father's sixth-floor apartment in Sao Paulo on March 29, was shocking not just for its brutality, but also because of her social class.
Unlike most of the 45 000 people murdered every year in Brazil, Isabella came from a comfortable middle-class family, not from the city slums, or favelas, where violence is rife.
Front pages and news bulletins have been dominated by the murder and the investigation, with some television outlets giving it a treatment reminiscent of a murder mystery.
On Friday, hundreds of reporters and photographers, and several news vans and helicopters, turned out to watch Isabella's father, Alexandre Nardoni, and her stepmother, Anna Carolina Jatoba, escorted by elite officers to a police station.
Nardoni, 29, and Jatoba, 24, have been charged with Isabella's murder.
The two - who met while studying law at university - insist they had nothing to do with the murder, with Nardoni claiming an intruder must have killed his daughter while he was in the basement garage with his wife.
But evidence painstakingly compiled by police showed nobody forced their way into Isabella's room, whose wire safety screen across the window had been cut.
Microscopic particles of Isabella's blood was also found on recently-cleaned cloth in Nardoni's apartment, and neighbors reported hearing the girl crying out the night of her murder.
Polícia pede prisão preventiva de pai e madrasta. O casal Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá e Alexandre Nardoni, madrasta e pai da menina Isabella, morta em SP no dia 29 de março.
O promotor Francisco Cembranelli disse nesta quarta-feira (30) que a polícia civil enviou, junto com o inquérito sobre o caso Isabella, um pedido de prisão preventiva de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e da madrasta da garota. Cembranelli afirmou que vai analisar o pedido durante o fim de semana e deve manifestar-se sobre o assunto na terça-feira (6). O promotor Cembranelli deixou claro que a partir de agora o caso está exclusivamente nas mãos do Ministério Público, que pode manifestar-se livremente a respeito do assunto, sem ter de ater-se às conclusões da polícia. "Eu vou fazer a descrição que eu considero correta para esse caso. Não estou preso a nada. Vou fazer a minha descrição de acordo com o meu convencimento e com o que a lei me autoriza a fazer. O delegado pode fazer lá uma qualificação por motivo torpe, fútil, e eu não necessariamente preciso seguir isso." Cembranelli disse que em tese o pedido de prisão preventiva deve atender os seguintes fundamentos legais: indício de autoria e prova de materialidade do crime. "Isso é o básico", afirmou. Além destes dois itens, de acordo com ele, é preciso que haja mais um dos três requisitos: conveniência da instrução criminal, garantia da ordem pública e garantia de aplicação da lei penal. Nesta manhã, o escrivão e o investigador de polícia encarregados de entregar o inquérito do caso Isabella chegaram por volta das 10h20 ao Fórum Regional de Santana, na Zona Norte de São Paulo. Os agentes não falaram com a imprensa. O documento que contém o detalhamento das ações da polícia no caso nos últimos 30 dias servirá como base para que Cembranelli ofereça ou não denúncia contra Alexandre Nardoni. Fonte:G1, em São Paulo
Conclusão do inquérito do caso Isabella. A polícia de São Paulo se baseou em laudos da perícia, no depoimento de testemunhas e em deduções para escrever o relatório final do inquérito sobre a morte de Isabella Nardoni. O relatório final da polícia é assinado pela delegada Renata Helena da Silva Pontes, que comandou as investigações. O documento tem 43 páginas e faz parte do inquérito que foi entregue à Justiça na quarta feira (30). A delegada é categórica ao dizer que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá mantiveram a mentira de forma dissimulada, desprezando o bom senso de todos, para permanecer impunes. O relatório mostra a versão da polícia para o crime e, segundo a delegada, levou em conta laudo do Instituto de criminalística, lesões observadas na vítima e depoimentos de testemunhas. A primeira conclusão é que as agressões começaram no carro da família: segundo o relatório, Anna Carolina Jatobá feriu Isabella na testa, com um instrumento nao identificado. A madrasta segurava esse instrumento com a mão esquerda, virou-se para trás e alcançou o rosto da menina. A delegada diz que houve sangramento, gotejando sangue no assoalho, atrás do banco do motorista, na lateral esquerda do carrinho do bebê e um esfregaço, uma espécie de borrão, de sangue na parte posterior do banco do motorista. Não foi feito exame de DNA no sangue, porque a quantidade era pequena. Para a defesa, isso impediria a polícia de afirmar que o sangue é de Isabella. Segundo o relatório, o sangue observado na lateral esquerda da cadeirinha do bebê tem o perfil genético de Isabella. Segundo peritos consultados pelo Jornal Nacional, todos os membros de uma família tem o mesmo perfil genético, ou seja, o exame realizado não foi conclusivo. Depois da chegada à garagem do Edifício London, segundo a delegada, todos subiram juntos ao apartamento. Isabella estava no colo do pai. Alexandre a jogou no chão, diz o relatório, perto do sofá. Nesse local, observou-se maior concentração de sangue, não visível a olho nu, mas identificado graças a reagentes químicos. Em outro trecho, a delegada diz que Isabella sofreu duas fraturas devido a um forte impacto, como ter sido atirada no chão. O sangue foi limpo e, ao que tudo indica segundo a delegada, com uma fralda de criança. Na noite dia do crime, a polícia encontrou uma fralda dentro de um balde. Era a única peça já lavada, no meio de outras que estavam no cesto e no chão, sujas. Segundo laudo do Instituto de Criminalística, reagentes químidos identificaram a presença de sangue na fralda.
'Pára pai'
Para a delegada, o pescoço de Isabella foi apertado por tempo considerável e de maneira forte, a ponto de a menina sofrer asfixia. O relatório final sobre o caso menciona o fato de duas pessoas terem ouvido gritos de criança chamando o pai, pouco antes da queda de Isabella. A delegada afirma: por causa das lesões, Isabella não podia gritar. Portanto, a voz era do irmão de Isabellla, de três anos, que queria que o pai intercedesse, no momento em que a menina estava sendo asfixiada. E completa: sendo assim, se deduz que a pessoa que apertou fortemente o pescoço da vitima foi Anna Carolina Jatobá. Renata Pontes não indica o motivo do crime, mas afirma no relatório que há provas robustas de ter sido Alexandre Nardoni quem jogou Isabella pela janela. As principais são as marcas da rede na camiseta de Alexandre e as marcas do chinelo que ele usava que ficaram num lençol. A delegada também diz ter ficado impressionada com a atitude de Alexandre na noite do crime que tentava convencer a todos de que havia um ladrão no prédio e não demonstrava abatimento pela morte da filha. Para a polícia, não há dúvidas do descontrole emocional do casal. Em vários depoimentos, há relatos de brigas, principalmente por causa do ciúme que a madrasta tinha de Alexandre e de Isabella. Uma vizinha da família Nardoni disse à policia que Anna Carolina disputava a atenção do marido. Chegava a tirar Isabella do colo do pai para ela própria se sentar no colo dele, mesmo com a menina chorando.
Pedido de prisão preventiva
No final do relatório, a delegada pede a prisão preventiva de Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni. Segundo a investigação, não haveria tempo suficiente para uma terceira pessoa ter cometido o crime. Além disso, as amostras de sangue encaminhadas para exame de DNA apontaram predominância de sangue de membros da família, não havendo vestígios de sangue de uma terceira pessoa. O relatório não esclarece se mais alguém, além de Isabella, se feriu no dia do crime. No relatório, a delegada justifica o pedido de prisão: garantir a ordem pública, impedir a fuga dos indiciados e assegurar a aplicação da lei. Ela diz ainda que o crime é hediondo e classifica o ato como covarde, demonstrando a maldade e o desprezo à vida humana. Fonte : O GLOBO
98% dos brasileiros conhecem caso Isabella, mostra pesquisa; índice é recorde !!!!
Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira mostra que 98,2% dos brasileiros têm conhecimento do assassinato da menina Isabella Nardoni, ocorrido em São Paulo no final de março. Apenas 1,2% dos entrevistados não ouviu falar na morte da menina, enquanto menos de 1% não respondeu. O diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, disse que o percentual de 98,2% é o maior já registrado na história da pesquisa quando os entrevistados são questionados sobre o conhecimento a respeito de um determinado assunto. "É o maior percentual já atingido nesse tipo de pergunta na história da pesquisa", afirmou. Entre a maioria dos entrevistados que acompanha o caso, 71,8% consideram que a mídia tem acompanhado "adequadamente" os fatos relacionados à morte de Isabella, com "competência" na divulgação das informações. Outros 24,3% pensam o contrário, enquanto 3,9% dos ouvidos pela pesquisa não quiseram opinar. A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 21 e 25 de abril em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas duas mil pessoas, e a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou menos.
estemunhas ajudam polícia a traçar perfis de pai e madrasta de Isabella!!! Vizinha disse à polícia que sempre ouvia uma criança chorando no apartamento. Avós maternos da garota contaram que nunca aprovaram relação da filha com Alexandre. O relato de testemunhas foi o que orientou a polícia a descrever os perfis psicológicos do pai e da madrasta de Isabella. Às 23h49 de 29 de março, um vizinho ligou para a polícia, desesperado, sem saber direito o que tinha acontecido. O inquérito relata o pedido de ajuda: “Pelo amor de Deus, filha. Tem ladrão no prédio, jogaram uma criança lá de cima. Pelo amor de Deus”. Um minuto depois, outra ligação para o Corpo de Bombeiros: “Uma criança caiu aqui, cara, do terceiro ou do quarto andar”. O inquérito reproduz várias ligações com pedidos de socorro. Nenhuma partiu do apartamento nem do celular de Alexandre Nardoni. Os cinco volumes têm 64 depoimentos. Além do relato do vizinho que na noite do crime contou ter ouvido uma criança gritar "papai, papai, papai... Pára, pára", a polícia colheu um depoimento semelhante de uma moradora do prédio ao lado. A vizinha, que tem visão para o apartamento dos Nardoni, disse à polícia que sempre ouvia uma criança chorando, à noite ou de madrugada, várias vezes. Um choro prolongado, provavelmente de criança que estava apanhando da mãe. Diversas vezes, chegou a ouvir a voz dessa criança, falando: "pára mãe, pára mãe". Há exatamente um mês, em 2 de abril, prestaram depoimento os pais da madrasta de Isabella. Anna Lúcia Jatobá e Alexandre José Peixoto Jatobá declararam à polícia que Anna Carolina gostava muito de Isabella e que tratava os filhos com carinho. Brigas A avó materna conta que tomou conhecimento de algumas brigas do casal, a ponto de Anna Carolina ir para a casa da mãe até que os ânimos serenassem. As brigas ocorriam por causa de eventuais ciúmes e também por causa do filho mais velho. Ela diz que entre Anna Carolina e o pai houve desavença no passado pelo fato de os dois terem temperamentos muito fortes. E que, por isso, Anna Carolina chegou a registrar dois boletins de ocorrência contra o pai. O pai de Anna Carolina confirmou que em duas ocasiões teve desentendimentos com a filha, que resultaram em desrespeito à figura do pai, fato que não aceitou e reprimiu de forma calorosa. Os avós maternos de Isabella, José Arcanjo e Rosa Maria de Oliveira, também falaram à polícia no mesmo dia. José Arcanjo diz que desde o início do relacionamento, ele e a esposa não aprovavam Alexandre, pois ele era uma pessoa que gostava de demonstrar que sua família seria poderosa e de muitas posses. Rosa de Oliveira disse que, por conta disso, ela e o marido convenceram a filha a se separar. A avó materna conta que, seis anos atrás, Alexandre tinha sido vítima de uma tentativa de homicídio. O motivo seria, segundo ele, a compra de um carro de um indivíduo jurado de morte. Isso explicaria tiros efetuados na ocasião - história em que Rosa não acreditou. José Arcanjo conta que, depois da separação, Alexandre e Ana passaram a ter muitas discussões. Depois que Isabella começou a estudar, viu Alexandre ameaçar a sogra de morte, sendo necessária a intervenção do pai de Alexandre, que o levou embora. Os fatos foram registrados numa delegacia Um dos advogados do casal, Ricardo Martins, disse que em nenhum momento a defesa teve acesso ao relatório conclusivo da polícia. E considera frágeis as provas divulgadas até o momento. Na segunda-feira (5), os advogados vão tentar obter uma cópia do documento, no Fórum de Santana, Zona Norte de São Paulo.
Relatório contém equívocos contra pai e madrasta de Isabella Fonte: Folha Online 03/05/2008 - 12h09 O relatório elaborado pela Polícia Civil de São Paulo a respeito do assassinato da menina Isabella Nardoni, 5, incluiu informações equivocadas e omitiu outras a fim de deixar mais contundentes as acusações contra o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, de acordo com reportagem de Rogério Pagnan publicada na da Folha de S.Paulo neste sábado (íntegra disponível para assinantes do jornal ou do UOL). No relatório enviado à Justiça, a delegada Renata Pontes afirma que o coordenador em segurança Waldir Rodrigues de Souza, morador do prédio vizinho ao London, afirmou ter chegado em seu apartamento às 23h30 e, "em dado momento, sua mulher foi despertada por uma discussão de homem e mulher, vinda do prédio ao lado" --seriam os Nardoni. "Na íntegra do depoimento de Souza, porém, é possível verificar que ele disse ter chegado às 21h30 ao apartamento. Ou seja, duas horas mais cedo", observa a reportagem. "Esse equívoco da polícia não teria muita relevância, porém, não fossem os detalhes omitidos no relatório: a briga, segundo ele, ocorreu por volta 'das 23h', 'durou cerca de 15 minutos', e que ouviu uma mulher dizendo 'jogaram a Isabella do sexto andar' tendo 'visto claramente o horário no relógio que indicava 23h23'", conclui a Folha Segundo o próprio relatório, o carro da família Nardoni, um Ford Ka, desligou seu motor na garagem do edifício London às 23h36m11. O depoimento foi um dos 20 citados pela Polícia Civil no relatório. Foram ouvidas, ao todo, 67 testemunhas. Meninos O Conselho Tutelar de Guarulhos (Grande São Paulo) (visitar na segunda-feira (5) os filhos mais novos de Nardoni e Jatobá, de 3 anos e 11 meses. Na quarta-feira (30), conselheiras foram ao apartamento da família Jatobá, onde o casal está hospedado desde o último dia 19, porém foram dispensadas pela família. Para o advogado Ariel de Castro Alves, secretário-geral do Condepe (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana), os meninos podem estar psicologicamente abalados pelo crime. Justiça O juiz Maurício Fossen e o promotor Francisco Cembranelli, do 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, analisam o relatório da Polícia Civil sobre a morte da menina neste feriado prolongado do Dia do Trabalho. O promotor deve emitir pareceres sobre o pedido de prisão preventiva feito pela Polícia Civil e sobre a possibilidade de acusar formalmente os dois entre segunda e terça-feira. O juiz, então, decide sobre os dois pontos. Prisão No pedido de prisão preventiva, a Polícia Civil argumenta que existe a possibilidade de, solto, o casal alterar provas obtidas pela perícia --coagindo testemunhas, por exemplo-- ou fugir. O advogado Rogério Neres de Sousa, um dos responsáveis pela defesa do casal, afirma que o casal está no "apartamento da família Jatobá [em Guarulhos] há vários dias", sem nem "pôr a cabeça na janela" e, por isso, jamais poderiam alterar quaisquer provas. Ele disse que outro argumento considerado pela Polícia Civil, o de ofensa à manutenção da ordem pública, ou seja, de que os dois causam tumulto "aconteceu, mas já passou".
Polícia usa testemunhas para mostrar que pai e madrasta de Isabella mentiram logo após o crime. VEJA Edição 2057 23 de abril de 2008
O inquérito que apura a morte de Isabella Nardoni, 5 anos, reúne cinco depoimentos de testemunhas que afirmam que o casal Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, disse ter tido o apartamento arrombado e que o pai de Isabella chegou até mesmo a dizer ter encontrado o bandido armado. Para a polícia, os depoimentos provam que Alexandre e Anna Carolina mentiram desde o primeiro instante da morte da menina para tentar se livrar da culpa. A delegada Renata Pontes, do 9º DP, afirma que os dois mentiram de forma dissimulada, desprezando o bom-senso, a vizinhos e policiais. Até terça-feira, o promotor Francisco Cembranelli deve denunciar o casal por homicídio e endossar o pedido de prisão preventiva feito pela polícia. Além do porteiro do edifício London e do morador do 1º andar, Antônio Lúcio Teixeira, mais três testemunhas afirmam no inquérito que Alexandre Nardoni afirmou que um ladrão havia arrombado seu apartamento. Horas depois, na delegacia, acompanhado de advogado, ele contava a versão de que tinha trancado a porta do imóvel após ter deixado Isabella dormindo em sua cama. Vários vizinhos ligaram para a polícia pedindo ajuda logo após a queda de Isabella, menos o casal. Waldir Rodrigues de Souza, morador do edifício London; Luciana Ferrari, moradora do 4º andar do prédio ao lado, e Joyce Kolle Vergara Marques, moradora do Condomínio Torres de Santa Leocádia, disseram ter ouvido o pai de Isabella falar do suposto ladrão. Waldir Rodrigues de Souza contou à polícia que Alexandre dizia que o bandido estava armado. Salientou que o pai de Isabella estava mais preocupado em dizer que havia bandido no prédio do que com a gravidade dos ferimentos sofridos pela filha. Foi a mesma impressão que teve a vizinha Luciana Ferrari. Ela confirmou à polícia que o pai de Isabella dizia ter dado de cara com o bandido armado. Luciana estranhou o fato de que Anna Carolina Jatobá, criticando a segurança do prédio, afirmava que o criminoso tinha a chave de seu apartamento. "Se ele tem a chave, porque, então arrombar a porta?", como afirmava o marido dela. Casal tentou levar zelador para a cena do crime Além de ter atribuído a morte de Isabella a um suposto ladrão, o casal Nardoni tentou atribuir suspeitas ao zelador do edifício London e a um funcionário terceirizado do condomínio. Tentou ainda, sem sucesso, levar o porteiro do prédio para a cena do crime. No relatório, a delegada Renata Pontes afirma que Alexandre poderia levantar suspeitas contra o porteiro caso ele tivesse entrado no apartamento antes da chegada dos policiais. "O que não seriam capazes de insinuar ao ser revelado que o porteiro estivera dentro do apartamento deles?", indaga a delegada. A suspeita da polícia é confirmada pelo depoimento de Antônio Lúcio Teixeira, morador do apartamento 12 do edifício London. Segundo ele, Alexandre falou para o porteiro Valdomiro ir até o apartamento verificar se tinha alguém lá dentro. O mesmo vizinho impediu Valdomiro de deixar seu posto. Várias testemunhas viram Anna Carolina com o bebê Kauã, de 11 meses, no colo. Nenhuma delas, porém, disse ter visto Pietro, de 3 anos, no andar térreo. Em depoimento, Alexandre Nardoni disse que o menino mais velho desceu pelo elevador em seu colo, juntamente com a mulher, que carregava Kauã. Em seu depoimento, o avô materno de Isabella, José Arcanjo de Oliveira, classificou Anna Carolina como desequilibrada e disse que Alexandre demonstrava frieza durante o resgate da filha. Vizinha de Antonio Nardoni, pai de Alexandre, Benícia Bronzati Fernandes narrou que Anna Carolina disputava atenção de Alexandre com Isabella. Chegou tirar a menina do colo do pai para ocupá-lo. Fonte:GLOBO ON LINE
Pai sabia que Isabella estava viva ao arremessá-la, diz promotor. Fonte:G1,06/05/2008 - 18h55 - Atualizado em 06/05/2008 - 21h22 O promotor Francisco Cembranelli denunciou nesta terça-feira (6) o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá por homicídio doloso triplamente qualificado (meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e para ocultar outro crime). Segundo ele, o casal sabia que Isabella estava com vida ao arremessá-la pela janela. "A intenção foi dar solução a um problema que já existia", disse ele. Logo após apresentar a denúncia à Justiça, Cembranelli justificou a decisão em uma longa entrevista coletiva à imprensa na sede do Ministério Público de São Paulo, no Centro da capital. Confira a seguir os principais pontos da entrevista.
Crime
Segundo a denúncia, Anna Carolina Jatobá esganou Isabella e Alexandre Nardoni arremessou a criança do 6º andar. “Ambos mataram”, disse o promotor. Antes do crime, afirmou Cembranelli, houve uma “discussão acalorada” do casal motivada por ciúme de Anna Jatobá. Neste momento, a criança foi ferida por um objeto contundente na testa. Depois, a madrasta apertou o pescoço da vítima com as mãos. Cembranelli diz que, sabendo que a criança estava viva, Nardoni jogou Isabella pela janela, incentivado pela esposa.
Indícios
O promotor preferiu não apontar uma prova ou um indício específico que prove que o casal matou a criança. Defendeu apenas que há “indícios suficientes da autoria do crime”. “O acervo de provas é bastante rico, obtido por meio de uma criteriosa investigação, com mais de 60 testemunhas e laudos de qualidade”, afirmou ele.
Sangue e vômito
A denúncia não faz referência ao sangue encontrado no carro de Alexandre Nardoni tampouco a uma possível mancha de vômito na camiseta do pai da menina, fatos que não-conclusivos nos laudos periciais. Para o promotor, o sangue é de Isabella e isso será provado no curso da instrução do processo. “Há provas de que o sangue é de Isabella, e não é só o DNA. É sangue recente, peritos estão sendo chamados para esclarecer isso.”
Terceiro suspeito
O promotor descartou a existência de um terceiro suspeito com base no trabalho da perícia, testemunhos de moradores e do porteiro do prédio e na ação de 30 policiais militares que fizeram uma varredura no prédio e em suas redondezas e nada encontraram. Cembranelli acrescentou que o apartamento do casal não foi invadido.
Motivação
Francisco Cembranelli diz que a discussão entre Alexandre Nardoni e Anna Jatobá, que teria antecedido a morte de Isabella, foi provocada pelo ciúme da madrasta. “No meio da discussão a menina foi agredida (o que provocou um ferimento leve).”
Cena do crime
Para o promotor, a cena do crime foi alterada pelo casal que também responderá por fraude processual. “Enquanto o indiciado Alexandre descia pelo elevador, sua esposa Anna Carolina permanecia no imóvel alterando o local do crime, como já havia feito pouco antes de a ofendida ser jogada, apagando marcas de sangue, mudando objetos de lugar e lavando peça de roupa.” Cembranelli ainda afirmou que alguém tentou apagar manchas de sangue no carro de Alexandre, captadas apenas com equipamentos da perícia.
Testemunhas
Dezesseis testemunhas foram arroladas na denúncia. Entre elas, a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, a avó da criança, Rosa Maria Cunha de Oliveira, a delegada Renata Pontes, peritos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal e um policial que esteve no local no dia do crime. O funcionário de um bar da Zona Norte em que a irmã de Alexandre estava na noite do crime e que teria ouvido uma frase comprometedora de Cristiane Nardoni – o que ela nega – também deve ser ouvido.
Júri e Condenação
“Se dependesse da minha vontade, antes do final do ano a sociedade já teria uma resposta”, disse o promotor quanto a um possível julgamento do casal. Entretanto, ele nota que, se a prisão preventiva não for decretada, a defesa deve entrar com recursos para postergar o julgamento. “Faço uma previsão sombria de que demorará muito tempo para julgá-los.” Caso o casal vá à júri e for condenado, a pena mínima para homicídio doloso qualificado é de 12 anos de prisão. Segundo o promotor, Nardoni poderia ter uma pena maior se for considerada a agravante de crime contra descendente. Cembranelli sustenta que, se o julgamento fosse na semana que vem, provaria a culpa e condenaria o casal .
Prisão preventiva
Francisco Cembranelli deu parecer favorável ao pedido de prisão preventiva feito pela polícia contra o casal. Para ele, a prisão do pai e da madrasta trará “tranqüilidade ao processo”. “Eu descrevo o mau comportamento do casal, alterando a cena do crime, o que mostra que eles não estão comprometidos com o esclarecimento da verdade.” O promotor prevê que, caso eles fiquem soltos, o processo pode se estender por cinco ou seis anos.