Medição de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais conclui que o Rio Amazonas é o mais extenso da Terra.
  O Amazonas é o rio mais longo do planeta, e não o Nilo, como ensinam os livros de geografia. Na semana passada, um grupo de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou os resultados de dezesseis anos de pesquisas, durante os quais retraçou o curso do Amazonas de sua foz, na divisa do Pará com o Amapá, até a nascente, nas cabeceiras do Rio Apurimac, no Peru. Com base em imagens de satélite e uma pesquisa de campo na Cordilheira dos Andes, os cientistas do Inpe concluíram que o rio sul-americano é 592 quilômetros maior do que se supunha. O grupo aplicou os mesmos critérios ao Nilo e descobriu que ele também estava subdimensionado. No seu caso, em 202 quilômetros. A diferença entre ambos passou a ser de 140 quilômetros – em favor do Amazonas. O Inpe só apresentará oficialmente o trabalho à comunidade científica em setembro, durante o Simpósio Latino-Americano de Sensoriamento Remoto. Os cientistas responsáveis pela medição se anteciparam à ocasião e conseguiram que o Instituto Geográfico Nacional do Peru e a Agência Nacional de Águas chancelassem os seus resultados. Também enviarão o trabalho à Royal Geographical Society e à National Geographic Society, que mediram o Nilo e o Amazonas pela primeira vez. Repassaram, ainda, a informação à Enciclopédia Britânica. Se a medição dos brasileiros for reconhecida por todos, é provável que não demore muito para que a famosa coleção passe a considerar o Amazonas, além de o mais caudaloso, o maior rio do mundo.
  Estudo do INPE indica que o rio Amazonas é 140 km mais extenso do que o Nilo O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) concluiu as medições com imagens de satélites que indicam o Amazonas como o maior rio do mundo. Segundo a metodologia do trabalho coordenado por Paulo Roberto Martini, da Divisão de Sensoriamento Remoto do INPE, o Amazonas tem 6.992,06 quilômetros de extensão enquanto o Nilo atinge 6.852,15 quilômetros. Desde o início dos anos 90 o INPE estuda o rio Amazonas por meio do sensoriamento remoto e geoprocessamento, tecnologias derivadas do Programa Espacial Brasileiro. Neste estudo sobre as extensões dos rios foram utilizados mosaicos ortorretificados Geocover, gerados a partir de dados Landsat, e cenas do sensor Modis corrigidas a partir dos mosaicos. A interpretação dos dados foi feita diretamente sobre a imagem na tela do Spring, o software de geoprocessamento desenvolvido no INPE. As medidas do Amazonas foram tomadas sobre imagens Modis (resolução espacial de 250 metros de pixel) e mosaicos Geocover (25 metros de pixel) seguindo seus canais mais longos. A diferença entre as medidas ficou menor do que um pixel do sensor Modis - 250 metros em 6.992,06 quilômetros. “Um erro aceitável em termos cartográficos”, diz Martini. As vertentes mais distantes do Amazonas, onde se iniciaram as medidas, só foram cientificamente definidas na expedição às nascentes organizada pela RW Cine, em junho de 2007, e que reuniu pesquisadores do Instituto Geográfico Militar do Peru, da Agência Nacional de Águas (ANA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do próprio INPE. Segundo Martini, um importante suporte para o registro cartográfico e ecológico desta expedição foi obtido através das imagens da câmera CCD do satélite sino-brasileiro CBERS e da plataforma Google, cujos dados foram integrados por Oton Barros, pesquisador que representou o INPE na expedição. “A metodologia pode ser aplicada para qualquer grande rio do planeta coberto por imagens Modis ou mesmo pela câmera WFI do CBERS, que também possui resolução espacial de 250 metros”, comenta Martini. O trabalho que analisou os rios Amazonas e Nilo será apresentado no XIII Simpósio Latino Americano de Sensoriamento Remoto, no mês de setembro em Havana, Cuba. Com o título "Metodologia de Medição das Extensões dos Rios Amazonas e Nilo utilizando Imagens Modis e Geocover", o trabalho é assinado por Paulo Roberto Martini, Valdete Duarte, Egídio Arai, estes do INPE, e Janary Alves de Moraes. http://www.inpe.br
Edited by GabrielPina (07/05/08 12:40 PM)
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